Segunda-feira, Junho 29, 2009

Reflexão política*

[*Escrito em Março deste ano, considero que conserva toda a frescura... ]

A política portuguesa parece-se cada vez mais com um bordel em que a patroa (o grande capital, principalmente estrangeiro) põe e dispõe, jogando com as misérias e ódios vesgos de cada uma das meretrizes em relação às suas colegas.Vem isto a propósito da aproximação de mais um ciclo de eleições, num país «agitado» por declarações de pacotilha dos políticos de todas as cores, destinadas e atrair os que conservam uma falsa esperança, dos que gostam de ser enganados. Refiro-me àqueles que depositam esperança nas urnas, como se o desenlace desta continuada e vil tristeza estivesse nuns mágicos quadradinhos de papel, com as não menos mágicas cruzinhas.

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Para que se perceba a inanidade deste «raciocínio», basta atentar no seguinte:
O PS de Pinto de Sousa vai arrecadar um número significativo de votos, o suficiente para ser o partido mais votado. O partido que – dentro deste sistema – é convidado a formar governo. Seja qual for a modalidade, teremos uma continuidade de políticas de submissão aos ditames dos grandes grupos.

Mais, esta continuidade será assegurada pelo PS. Teremos de certeza um governo PS: quer sozinho, com renovada maioria absoluta, quer em coligação com outra ou outras forças políticas, muito provavelmente forças à sua «direita», mas que também podem ser à sua «esquerda», o que não muda nada de substancial.

Aqueles que têm a ilusão duma política «anti-capitalista» que não seja simultaneamente e francamente anti-autoritária, que percam as suas ilusões, pois o PCP ou o BE sempre se posicionaram ao longo dos 4 anos de governação PS como rivais entre si, pela hegemonia dos trabalhadores e como «líderes» da oposição parlamentar de esquerda, nunca como uma opção alternativa de governo.

Para que isso tivesse a mínima credibilidade, eles teriam de se aproximar e fazer as pazes entre as várias facções do «comunismo» autoritário (as inúmeras facções do marxismo leninismo, desde os nostálgicos do estalinismo puro e duro, do maoismo, do guevarismo/castrismo, do trotsquismo de diversas obediências, até aos diversos marxismos ditos revisionistas). O que se viu pelas bandas quer do PCP, quer do BE, foi o oposto, um acirrar de rivalidades, numa estratégia pseudo-popular, mas na realidade, sectária no mais puro estilo «PREC» de há 30 ou mais anos atrás.Tudo somado, eles contentam-se em ser forças «de oposição» institucional, manobrando sindicatos, com um ou outro lugar no aparelho de estado central, nas autarquias, etc., mas sem a responsabilidade total do poder político.

Eles sabem perfeitamente que não seriam autorizados a exercer uma parte do poder, sem terem de ceder em muitos aspectos da sua ideologia caduca. Teriam de se converter completamente em «esquerda neo-liberal», como voz «crítica» dum PS que detém a medalha da submissão ao grande capital, já sem laivos sequer de socialismo ou de social-democracia.

A pequenez da política lusa acima resumida demonstra cabalmente a minha tese de que existe um país neo-colonial, com uma ou várias potências europeias (antes o Império Britânico, hoje o neo-império da UE, sob tutela dos USA).Perante isto, que é uma evidência, que têm a dizer os senhores e senhoras que se arvoram em «analistas» e «fazedores de opinião»? Nada; continuam a assobiar para o lado, pois eles sabem que há verdades inconvenientes; nem que seja para «negar» os meus argumentos, preferem estar calados, pois seria muito complicado sair fora das «regras» do jogo.

Regras não ditas, mas por todos/as bem compreendidas. Regra nº1: Vale falar do acessório, nunca do essencial. Pois o essencial implica a denúncia dos seus verdadeiros patrões e eles/elas não querem desagradar aos mesmos, têm destes o sustento, o tacho e a promessa de participar no rega-bofe… à custa dos mesmos de sempre, dos excluídos, dos espoliados, do «bom povo» que serve para ir, «cheio de fé», votar nas próximas eleições.É assim que se mantém a choldra, a chusma, bem-educada, polida, sem nada que a distinga da intelectualidade de Paris, Roma, Londres ou Nova Iorque… mais outro aspecto típico das burguesias dos países neo-coloniais.
Mas, infelizmente, quem não tem nada a ganhar com este jogo ainda continua a deixar-se embalar pela ilusão de que algo de novo possa surgir em resultado do circo eleitoral.

Não há salvação dentro do regime, nem sequer remendo, porque o regime está podre. Não tem salvação ou remendo, porque o próprio regime impede a transformação necessária. Não há transformação possível sem uma mudança de mentalidades e esse primeiro passo deveria partir das «elites».

Mas o que são as elites neste país? Serão verdadeiras elites ou apenas uma casta parasitária que pavoneia as suas vacuidades como se fosse pensamento?Num país sugado até ao tutano por mais de dois séculos de domínio neo-colonial, não existe burguesia empreendedora, apenas estado-dependente, apenas parasitária!

Neste país neo-colonizado não existe tão pouco classe trabalhadora autónoma, independente, produzindo o seu discurso, com os seus contra-poderes próprios; temos antes uma classe trabalhadora escravizada por obra e graça do reformismo, quer ele se exprima em partidos ditos «operários» ou em centrais sindicais completamente vendidas, porém arvorando os símbolos e aparências da luta de classe, para melhor entregar os trabalhadores, de pés e mãos atados, aos patrões e ao governo.

Não podemos esquecer que os sindicatos em Portugal se comportam como uma espécie de guarda avançada dos partidos que os manobram.Um país neo-colonial que se afoga no marasmo porque não quer reconhecer os seus enganos profundos, porque prefere continuar a viver na «doce ilusão», em vez de construir a sua própria sociedade civil independente, autónoma dos partidos e do estado.

Não existe cultura nem vida democrática; tudo é absorvido pelo espectáculo do «desporto rei».O futebol é o local geométrico onde se cruzam todos os discursos, todas as intrigas de poder, o imaginário colectivo de um povo suspenso na bota do jogador super-heroí que vem «resgatar» a «honra» de um povo… O super-homem que o vai fazer vibrar, vivendo, nas glórias e desventuras do seu herói futebolístico do momento, a pseudo-afirmação de uma identidade «nacional», há muito alienada, de qualquer maneira.

Basta ver a subserviência caricata dos portugueses a tudo o que seja estrangeiro, para se compreender que eles estão totalmente descrentes da sua identidade ou só a afirmam como servos dos «poderosos», muito orgulhosos de serem considerados um «povo gentil, afável, hospitaleiro». Basta-lhes viver na apagada e vil mediocridade. Portugal, como local de férias barato, para a classe trabalhadora dos países mais ricos do continente europeu. Tudo isto configura o complexo neo-colonial deste povo.Apenas a sua tomada de consciência poderia ser ponto de partida para sacudir o jugo bissecular da opressão, mas isso não pode ser realizado desde o cimo por uma «elite» ilustrada, que não existe.

Há apenas uma «burguesia compradora», ou seja, que aproveita as migalhas da exploração deste povo, exploração essa que continua a beneficiar os de sempre: grandes consórcios capitalistas internacionais, grandes potências que se servem de Portugal como de um súbdito (veja-se o caso dos Açores e de todas as bases e interesses da NATO).Portugal efectivamente pertence aos se aproveitam das pescas, da agricultura, dos minerais e de todas as actividades produtivas para fazerem chorudos negócios.

Quando já nada restar das riquezas naturais deste país, ainda haverá para explorar um povo semi-analfabeto, o eterno emigrante, capaz de trabalhar sem pedir muito, para voltar um dia à sua aldeia ou vila, para aí viver a sua reforma como um fidalgo, não lhe interessando o que aprendeu na estranja…Não existe, decerto, qualquer solução colectiva dentro deste regime.

Apenas com a destruição completa, total e irreversível do sistema de exploração capitalista, poderemos viver como um povo, entre os restantes povos, fraterno e capaz de viver por si, amando sua história e seu território, mas de um amor não possessivo, não egoísta. Como o amor de uma mãe orgulhosa por ver seus filhos e filhas capazes de perpetuar a sua memória, capazes de continuar e enriquecer uma cultura milenar em todos os domínios, das artes às ciências, da produção material à produção espiritual.Temos portanto de ter um enorme desejo de realização dessa pátria utópica mas alcançável, de uma pátria realmente de todos. Isso só pode ser possível na ausência de capitalismo, experimentando formas colectivas de gestão (autogestão) generalizadas a todas as áreas da produção e da sociedade.Sem esta perspectiva, não existe política de libertação, de emancipação, de autonomia e de poder democrático da classe trabalhadora.

Espero que critiquem muito este escrito, pois a discussão é necessária e eu não estou fechado a ouvir e ler vossos contra-argumentos.

Estou profundamente convencido da veracidade do quadro que pintei acima e também tenho real esperança nos caminhos que aponto.

Mas sei que as soluções aos graves problemas referidos são necessariamente colectivas e, por isso mesmo, anseio ler as vossas opiniões.

Solidariedade,
Manuel Baptista

Sábado, Junho 27, 2009

Outro conto tradicional russo [por M.J. Marmelo]



José Sócrates, primeiro-ministro de um pequeno e distante país chamado Portugal, mandou um empresa semi-pública adquirir uma parte do capital de uma estação de televisão cuja linha editorial o irritava particularmente. A coisa soube-se e o primeiro-ministro arranjou forma de garantir no parlamento que não influencia a gestão da dita empresa semi-privada, no que foi corroborado pelo presidente da dita. Como, entretanto, o caso deu algum brado, o presidente da república se pronunciou sobre o assunto e as eleições estão à porta, o primeiro-ministro decidiu agir. Mandou baixar o preço das salsichas? Claro que não. Uma coisa é a Rússia, outra é uma democracia séria de tipo ocidental. José Sócrates resolveu, afinal, influenciar a gestão da empresa semi-pública e deu ordens para que o negócio não se faça.Ficção? Nem por isso. Está tudo aqui.
Por M.J.Marmelo

Sexta-feira, Junho 26, 2009

«A DOUTRINA DO CHOQUE»

Realmente tenho de fazer o meu «mea culpa»: Fiquei curioso há mais de um ano, quando o livro saiu em inglês, li várias críticas e excertos, mas não me entusiasmei o suficiente para o encomendar. Preguiçosamente, esperei que estivesse traduzido em português, para o ler. É verdade que não sou politólogo!

Este livro não apenas é inteligente, como é uma mina de dados.
É extremamente rico em documentação sobre os últimos trinta anos, em que o chamado «neo-liberalismo» (melhor seria chamá-lo «capitalismo selvagem») deu cabo dos 'estados sociais', do bem-estar relativo, dos direitos e das garantias que os trabalhadores e os pobres foram arrancando duramente no século anterior, mas varridos com a ascensão da «teoria friedmanita», ou seja, da liberdade total do capital.
Foi esta adoptada por Pinochet há 36 anos, aconselhado directamente pela «Escola de Chicago» de Milton Friedman, ainda antes de consumar o golpe sangrento que se prolongou numa ditadura terrorista de estado, por mais de uma década. Na década de 80, na Europa, a Sra. Thatcher atacava de modo duríssimo os sindicatos britânicos, mas também tudo o que fosse «welfare state» (serviço nacional de saúde, pensões de reforma, escola pública...).
Vivi intensamente tal como toda a geração que hoje tem à volta de 50 anos estes dramas e os que se seguiram. Pinochet e Thachter foram apenas os primeiros passos do ataque «neoliberal», que inauguram a épica e trágica transição de milénio.

Em obras que pretendem fazer o fresco geral de toda uma época, é comum verificar-se dois tipos de erros: ou uma descrição demasiado genérica, ou «dar como provado» o que se quer provar.
Naomi Klein, evitou os dois erros com bastante talento.
Apesar de volumoso, é sóbrio, pois é rico em factos. É inteligente, pois não se limita a uma exposição dos factos, mas procura uma teoria que os explique, lhes dê uma coerência.
Sem dúvida que «A Doutrina do Choque» está entre as melhores obras de política internacional que li nos últimos anos. Estou convencido que vai ficar como obra de referência. É valioso, não apenas para quem esteja interessado na época, como pela perspectiva teórica que abre, no que respeita à compreensão dos mecanismos de poder.

Haverá por aí alguém que tenha lido este livro e queira discuti-lo comigo?
Manuel Baptista

Quinta-feira, Junho 25, 2009

LIBERTAÇÃO DOS TRABALHADORES IRANIANOS PRESOS!!



Rail and maritime unions express solidarity with Iranian workers
Jun 25

Railway workers’ unions of the ITF from Canada, France, Germany, Great Britain, Hungary, India, Luxembourg, Mongolia, New Zealand, South Africa, Spain, Turkey, USA and Venezuela who met in London on 24 and 25 June 2009 unanimously adopted a resolution in solidarity with the Iranian workers and support of the Global Solidarity Action Day. Similiarly, a meeting in Istanbul of ITF Inspectors from 52 countries declared solidarity and support to Iranian workers today.

Taiwanese teachers back-up Action Day
Jun 25

National Teachers’ Association (NTA), Taiwan, Republic of China is backing the Iranian workers and teachers. NTA will send their letter to the Iranian authorities tomorrow in coincide with the Global Solidarity Action Day. NTA will also fax the letter to the Iranian embassies in our neighboring countries.
The General Trade Union of Land Transportation will send a protest letter to the Iranian Embassy in Egypt on the Global Solidarity Action Day 26th June to request the Iranian authorities for the immediate and unconditional release of jailed trade union members and leaders Read the rest of this entry »

Tokyo Appeal calls for freedom and democracy in Iran
Jun 25

Trade unionists and human rights activists gathered in Tokyo on 24 June to express their solidarity with the Iranian workers. The meeting was jointly hosted by national labour centre Rengo and the Japanese affiliates’ committees of EI, ITF and IUF and supported by Amnesty International. Several reports on Iran were given by the host organisations as well as from an Arabic language academic. The meeting unanimously adopted an Appeal Read the rest of this entry »

Madrid protest rally confirmed by UGT and CC.OO
Jun 24

Spanish UGT and CC.OO will be rallying in front of the Iranian Embassy in Madrid on 26 June. The two confederations have prepared a joint statement which will be read-out at the protest demonstration and will submit a letter to the Iranian Ambassador.

VIDA – Gerechtigkeit für iranische Beschäftigte
Jun 24
Gerechtigkeit für iranische BeschäftigteAufruf zum weltweiten Aktionstag am 26. Juni 2009.
Knapp zwei Millionen Menschen im Iran erhalten keine Bezahlung für ihre Arbeit – einige von ihnen seit fast Jahren nicht. Unabhängige Gewerkschaftsbewegungen im Land versuchen verzweifelt gegen die Missstände anzukämpfen, werden aber systematisch unterdrückt bzw. nicht anerkannt. Read the rest of this entry »

ITUC, EI, ITF, IUF write to Iranian Supreme Leader
Jun 24
The four global union organisations organising the worldwide action day for Iran today wrote to the country’s Supreme Leader Ayatollah Sayed ‘Ali Khamenei setting out the aims of the action day and deploring the brutal repression that is being handed out to Iranians expressing their legitimate right to campaign for freedom. Read the letter here.
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CLC to join worldwide action day
Jun 24
Canadian Labor Congress has written to the Iranian Embassy in Ottawa, insisting that Iran must “join the international community in respecting the freedom of thought and expression”. Failure to do so, they warned, the CLC wholly endorses the organization of rallies and public demonstrations – in Toronto and elsewhere in Canada – in support of such an outcome.

BTB-ABVV is ready for the Action Day!
Jun 24
Brussels regionthe bus drivers of ‘De lijn’ (public bus transport firm) will be wearing the Osanloo badges and hand over a pamphlet to each passanger on their course.
West-Flandersawareness raising activities on 23 June with posters in front of the ABVV building.
Region of LuikPosters in all the public places of the ABVV building and handing out pamphlets to the public to raise awareness.

Terça-feira, Junho 23, 2009

Jornada Mundial de Solidariedade com o povo do Irão dia 26 de Junho




http://www.justiceforiranianworkers.org/

http://www.communisme-ouvrier.info
http://iranenlutte.wordpress.com/
http://bataillesocialiste.wordpress.com/

No primeiro de Maio houve repressão violenta e numerosas prisões de sindicalistas. Um movimento internacional ergueu-se apelando para a libertação dos trabalhadores presos por ocasião do Dia do Trabalhador, com manifestações a 26 de Maio em frente das embaixadas do Irão.
No dia 26 de Junho, não apenas para exigir de novo a libertação destes trabalhadores presos, como a liberdade para o povo, está a organizar-se um protesto internacional em frente das representações diplomáticas do Irão, no mundo inteiro.

Domingo, Junho 21, 2009

Opinião: NA EDUCAÇÃO COM EM TUDO O MAIS... SOMOS NEOCOLONIAIS!!!


No âmbito do país neo-colonial que é o nosso, pode o próximo ministro da educação ser bom, médio ou medíocre (*), que tanto se dá aos que verdadeiramente mandam nisto. Tanto se lhes dá que continue o modelo actual de escola pública ou que seja desmantelado para se fragmentar em milhares de escolas «privadas» subsidiadas 100% pelo estado (no fundo o projecto de municipalização é isto), etc.
Pois eu falo com os meus colegas professores, eles sabem tudo o que se passa no domínio da educação, fingem que não vêem o que está para vir, só sabem queixar-se pelos cantos, fazerem lutas perfeitamente recuadas como cortejos festivos pela Avenida, abaixo-assinados e petições, etc. mas não usam o único instrumento que poderia ser EFICAZ na luta. Usarem o seu enorme poder (que têm, por isso é que são tão atacados) para desmascarar a delapidação do dinheiro do povo, a desqualificação da escola pública, desde a vertente humana à material, mas dizê-lo com todas as letras e com exemplos concretos, mostrando que os ministros e governo apenas avançam com propaganda oca, não com «obra».

Basta perceber um pouco de teoria política para compreender que esta «esquerda» (que seria a «portadora» dos valores de uma escola pública democrática) é completamente incapaz de dar combate eficaz ao neo-liberalismo, estando focalizada em lutas corporativas em vez de as alargar, unificar com outros sectores da função pública e da população trabalhadora em geral.
O meu prognóstico é que, seja qual for o futuro ministro da educação, mesmo que não seja dum governo do PS, o futuro governo irá fazer da privatização-municipalização da educação a sua política; mesmo que essa tal orientação esteja ausente do programa eleitoral, um partido no poder pode sempre dizer (e nem é falso) que os «peritos» da OCDE, ou outros (dos tais que é preciso ler de modo respeitoso, reverencial...) aconselharam esta «reforma» como única panaceia para a nossa educação.
Nada que não se costume fazer neste país neocolonizado, perante um povo largamente despolitizado, à mercê dos políticos de campanário (aqueles que estão a entrar pelo domínio da escola, pois assim têm um mais amplo campo para tráfico de influências).

Quem fala de corrupção, incompetência etc. como causa dos problemas, não percebe nada... isso são sintomas; o mal é que este país é um país subjugado e explorado pelos senhores do capital.

Na divisão internacional do trabalho, está reservado a Portugal o lugar de um país que é preciso dominar, para garantir o controlo do Atlântico, um país que é preciso subjugar, para que «não levante cabeça», podendo ter alguma indústria (mas do tipo «maquiladora»), alguma agricultura (mas apenas para dar cor à paisagem rural, não para a autosuficiência alimentar de um povo, apesar do clima ser dos melhores do mundo para a agricultura), enfim algumas divisas obtidas com as remessas dos emigrantes e com o turismo (destinado aliás às classes médias baixas dos paíse ricos europeus). O sector financeiro, hipertrofiado, é como uma carraça que extrai os parcos recursos que o povo consegue fazer, o povo que se deixa enredar pelo mito «da casinha & do pópó» (é prá menina e pró menino...).

Solidariedade,
Manuel Baptista

Sábado, Junho 20, 2009

A CGT Goodyear interpela Bernard THIBAULT, secretário geral da CGT




O sindicato CGT Goodyear tomou a decisão de vos escrever depois de ter dito que iria fazê-lo há algum tempo, mas não podemos mais adiar agora!

Com efeito, achamos que a situação do nosso local de trabalho é a mesma situação alarmante de milhares de assalariados em França e porém continuamos à espera de uma reacção maciça e na devida dimensão!

A França é vítima de uma catástrofe desejada e instalada por um governo e patronato que não conhecem qualquer limite e, no entanto, a reacção da CGT nem sequer é tímida, é inexistente!

Os operários, os assalariados desejam um movimento que ponha fim à insolência dos que destroem milhares de empregos e o mesmo número de vidas das famílias e apenas temos direito a umas jornadas de mobilização dispersas por vários meses, Janeiro, Março, Junho e seria preciso esperar por Setembro para retomar isso?

É evidente que o diálogo está acabado, como é que pensais pôr de joelhos este governo que odeia o mundo do trabalho, com jornadas de mobilização tão pouco coerentes, face à crueldade do que sofremos na base!

Muitos milhares de assalariados em França querem um apelo à greve geral e total, as manifestações enquadradas cujos percursos são conhecidos de todos, não servem senão a dar prazer aos próprios e para mostrar que ainda existem sindicatos neste país!

O presidente da república e sua equipa estão-se nas tintas em relação às presentes manifestações, mas ao mesmo tempo, as bases da CGT lutam em toda a França, cada uma no seu canto, lutam ao lado dos restantes assalariados que estão a ser lixados e não esperam senão uma coisa: um apelo a uma acção de envergadura total, a CGT é o único sindicato que pode fazê-lo.

Somos sindicalistas CGT , sem dúvida de base, mas da CGT; vai ser preciso fazer algo concreto, pois a crise actual deve ter como resposta uma mobilização de todos ao mesmo momento, não agir seria um crime contra o mundo do trabalho!

A CGT Goodyear representa mais de 85% dos assalariados da fábrica de Amiens, trabalhamos quotidianamente para melhorar a vida dos assalariados na fábrica, mas o problema é que no presente, existem em centenas de empresas de França, pessoal que luta, que combate, que se estoira e não espera senão uma coisa: um apelo que una todos neste combate, sem o TODOS UNIDOS, o patronato e o governo têm ainda belos dias à sua frente!

Cada vez maior número de militantes CGT são espancados ou são colocados sob prisão provisória, os patrões e o governo criminalizam a luta social, vai ser preciso que vocês, da cúpula, reajam, é indecente ver-se sindicalistas irem a tribunal porque defenderam os seus colegas e ao mesmo tempo os patrões zarparem depois de ter colocado em falência as empresas, levando prémios e reformas douradas de milhões de €€; a CGT tem de fazer condenar com a maior firmeza os comportamentos deste bando de criminosos!

A CGT, aquela na qual nos tornámos militantes é um sindicato que responde às necessidades dos assalariados, que escuta as bases, os sindicalizados, os militantes mas também todos os que sofrem injustiças, por isso não compreendemos: ou estais num escritório demasiado hermético aos apelos dos que estão a ser cilindrados ou então há outra coisa, mas em todo o caso, não podemos aceitar que os camaradas lutem isolados no seu canto, quando é preciso um movimento amplo!

Fomos ter com os nossos camaradas de CONTI (aliás, não fizeram menção disso nas emissões tv com participação da CGT …) e vimos aí os colegas de uma empresa chamada LEARE, que nos explicaram de modo sentido como se têm confrontado com um gigante chamado PEUGEOT e que a única mensagem do governo foi enviar a polícia de choque para lhes dar na cara!

A PEUGEOT recebeu 3.5 milhares de milhões do estado ou seja dos contribuíntes e tem estado a provocar o fecho de todos os seus fornecedores franceses, temos em frente de nós BANDIDOS que não têm qualquer limite, nem qualquer escrúpulo!

A cada ida nossa a apoiar um piquete de greve, ouvimos a mesma coisa….
«Estão à espera do quê, lá em cima, os da cúpula da CGT????? »
Nós dizemos, fazem o quê, esperam o quê?

Nunca conhecemos uma tal regressão social no nosso país e em todo o mundo, sejam os activos do sector público ou privado, os reformados, estamos num país em que os reformados para se alimentarem vão aos caixotes de lixo, depois de terem trabalhado 40 anos. Mas os seus patrões, esses vão para a reforma aos 50 anos, gozando os milhões em seus yachts!

Já não se suporta mais, é preciso que a confederação CGT se mexa, nós estamos todos a ser massacrados a cada canto, enquanto - todos juntos - já teríamos ganho!

Empresas como a Goodyear, ou a CONTI vêem-se por todo o lado, os apelos multiplicam-se, para que a CGT convoque um movimento nacional de greve geral recondutível, apenas assim o governo pode deixar de nos gozar!

Somos membros da CGT, orgulhosos de o ser, e queremos continuar a sê-lo, o seu posto de secrátio-geral obriga-vos a ouvir-nos, a nós militantes da base, a CGT é um sindicato democrático com os seus valores, dos quais o mais forte é de estar ao lado dos que lutam e -de momento- os que lutam sentem-se bem sós!

Nós que participámos na jornada de 13 de Junho 2009, vimos como vós estais totalmente desfasado das reivindicações da base, quem pode por um instante acreditar que manifestar mão-na-mão, a um sábado, vai fazer mexer um governo?

É preciso parar com esta mesquinhez, em 1936 os assalariados obtiveram melhorias sociais enormes, mas obtiveram-nas ao lutarem TODOS no mesmo momento e durante um período longo, mas agora os assalariados lutam para não perder os direitos ou o emprego, nem sequer nos batemos por obtenção de novos direitos, mas apenas para sobreviver!

O governo volta a atacar, prolongando a duração das cotizações, o «buraco» da segurança social é aliás causado por os patrões não pagarem as suas cotizações, em resumo, o anúnico é claro: guerra ao mundo do trabalho!

Estais à espera de quê, ainda estais a pesar os prós e contras, o que é necessário para que a CGT regresse às suas origens, ou seja, dum sindicato que se opõe aos que querem destruir o mundo do trabalho?

A CGT Goodyear escreve esta carta em nome de milhares a assalariados que, como nós, exigem que sejamos ouvidos, não é apenas um dever, é uma questão vital!

Esperamos que a nossa carta não acabe num cesto de papéis e que tenha chamado a vossa atenção, nós dizemos-lhe até breve, ao vosso lado nas ruas, com todos aqueles que querem que o mundo comece a mudar desde amanhã!



O sindicato CGT Goodyear



[tradução MB, para Luta Social]